Muitos acham que têm a resposta a essa pergunta. Não lhes ocorre que não tenham um retrato fiel de Deus. “Todo o mundo sabe como Deus é!  Ele é… é… acho…” Segue-se uma salada de conceitos ouvidos de pais e professores que nunca foram analisados criticamente e nos quais se crê totalmente. Em outro nível, o que as pessoas sentem por Deus resulta de suas experiências de vida e é, da mesma forma, subjectivo e sem análise crítica.

“Minha avó sempre falava sobre Deus e ela gostava de mim – eu vejo Deus da mesma maneira que minha querida avó.”

“Minha família tinha regras muito rígidas – mais ou menos como Deus age comigo!”

“Os pastores dizem que me amam – eu acho que Deus é assim.”

“Os pastores dizem que Deus está zangado comigo – eu acho que Ele é assim mesmo.”

Vamos começar com esta premissa: algumas de nossas ideias sobre Deus estão erradas. Já vimos demais, fomos muito feridos ou confundidos para afirmar que temos um retrato fiel de Deus em todas as áreas. De alguma forma, fomos mal informados – todos nós. Precisamos de dar alguns passos no sentido de nos reeducar sobre como Deus é, ou a imagem que temos dele continuará fora de foco… e o tempo provavelmente tratará de deixá-la ainda pior.

Como podemos obter um retrato fiel de Deus? Um bom lugar para começar é nas Suas obras – observando os Seus actos, poderemos ver o autor. Assim, como as obras de arte nos dizem algo sobre o artista, ou o trabalho de alguém demonstra suas habilidades e interesses, o que Deus criou conta-nos como é o Criador. Quando contemplamos a criação – a natureza, o mundo, as estrelas e as galáxias –, chegamos a uma conclusão irrefutável: o poder daquele que criou todas essas coisas é incomparável. Da minúscula célula às galáxias distantes na velocidade da luz, da complexidade de um floco de neve ao pôr-do-sol que tinge o imenso céu, as obras de Deus são tão evidentes que, muitas vezes, fingimos não vê-las para ignorar quem as criou.

No entanto, a Bíblia diz que é exactamente isso o que fazemos (Romanos 1:18-20). A noção de dimensão de Sua majestade – tão evidente no universo – é esmagadora. Ouvimos a voz e a ignoramos. E enquanto guardamos connosco uma vaga ideia de Sua grandeza, modificamos e moldamos Sua imagem até que o abismo entre a imagem que temos d’Ele e o que Ele realmente é se torne intransponível. O pecado – nossas tentativas deliberadas de expulsá-lO do trono do universo, assim como nossa indiferença passiva ao Seu comando – não somente destrói nossa vida como também distorce nossa visão de Deus.

Mas ainda há esperança. Deus não somente faz – Ele também fala. Ele conversa connosco. Envia mensagens. Diz-nos a verdade através dos profetas e líderes. A Bíblia é o registo escrito do Seu amor, onde aprendemos coisas que de outra forma não saberíamos.

Por outro lado, aprendemos que o assombro que temos diante de Sua criação precisa ser preservado e qualquer noção que tenhamos de Seu poder é verdadeira. Mas também aprendemos que Seu poder é restrito. Ele não é um pai irado prestes a explodir. É um pai amoroso que deseja estar perto de nós. No princípio do relato bíblico vemos Deus escolher um homem, Abraão, para uma missão especial: formar uma nação para representar o Senhor perante o mundo. Aquele grupo de pessoas deveria ser o retrato palpável do amor, poder, justiça e santidade de Deus. Teriam de ser diferentes do resto do mundo – porque Ele é diferente. Seriam santas – porque Ele é santo. Demonstrariam compaixão, porque Ele é compassivo. Fugiriam do pecado, porque n’Ele não há pecado. Seriam abençoadas, porque abençoar é parte da natureza de Deus. O retrato pintado por esse grupo muito se assemelharia ao retrato pintado por Deus na criação. Ele falaria com elas e através delas.

Mas Deus não somente fez e falou. Ele se tornou. Organizou o vazio e fez dele um mundo que todos pudéssemos ver. Sua palavra aos profetas transformou-se num livro que todos podem ler. O ápice da comunicação foi o Verbo, Jesus, vindo habitar entre nós para que todos pudéssemos recebê-lO. Podemos ver as Suas obras; ler Seu livro; conhecer Seu Filho. Jesus é o retrato supremo de Deus – as obras e a Palavra de Deus são encarnados. O que Ele faz, Deus faz. O que Ele ama, Deus ama. O que Ele abomina, Deus abomina. O que Ele diz, Deus diz. Seu modo de agir é também o de Deus. Não precisamos mais de procurar informações sobre como Deus é: Seu único Filho deu-nos ampla explicação (João 1:18). Ele demonstrou o poder assombroso de Deus ao acalmar a tempestade, curar enfermos e ressuscitar mortos – a criação sujeita-se a Jesus. Ele demonstrou através de Seus ensinos o desejo de Deus falar connosco – Ele é a própria verdade. Jesus exerce a compaixão de Deus sem comprometer Sua rectidão – personificou a natureza de Deus. Em nenhum outro lugar encontraremos maior exemplo do que em Sua morte por nós. Ao odiar o pecado, Deus mostrou justiça. Ao perdoar o pecador, mostra misericórdia. Mas, ao ser Ele mesmo o pagamento por este pecado, mostra incomparável, maravilhosa e magnífica graça.

Deus é assim. Os teólogos escolheram palavras, ou atributos, que resumem essas qualidades. Uma vez superada a aparência formal desses termos, eles podem nos ser úteis para categorizar o que sabemos sobre Deus. A seguir, a lista dos principais atributos de Deus.

Como Deus é – ou o que nunca poderemos ser

Omnipresente: Deus está sempre perto. Não há lugar que Lhe seja distante. Ele não se limita a dimensões espaciais.

Omnipotente: Deus pode fazer todas as coisas, desde que não violem Sua natureza. Ele é Todo-poderoso e nada Lhe é impossível. Seu poder é iliminado e somente Sua vontade pode restringi-lO.

Omnisciente: Deus é o regente máximo do universo, e ninguém é maior em autoridade ou poder. Nenhum pecado ou desobediência pode frustrar os Seus desígnios.

Eterno: Deus sempre foi e sempre será. Não teve princípio e não terá fim. Ele é o criador do tempo. E não está sujeito ao tempo, mas reina sobre ele.

Imutável: Deus nunca muda e não está melhorando com o passar dos séculos. Sua beleza jamais desvanecerá. Ele não cresce ou aumenta; é perfeito como é e podemos descansar na certeza de que Ele continuará assim.

Infinito: Em Deus não há limite. Ele é imensurável; não se pode medir nenhuma parte de Deus ou de Seus atributos. Ele é inesgotável em todos os aspectos de seu ser.

Quem Deus é – ou o que devemos imitar

Santo: Deus é puro. N’Ele não há falha alguma. Não podemos compará-lO a nenhuma pessoa ou coisa porque Ele é absolutamente diferente de tudo o que conhecemos ou experimentamos.

Sábios: Deus usa Sua sabedoria habilmente e tudo n’Ele faz sentido. Ele não é tolo, e Seu conselho pode ser seguido.

Bom: Deus não pode fazer mal porque n’Ele não há mal algum. Ele age para o bem de Suas criaturas. O nosso bem-estar está em Suas mãos.

Justo: Deus é justo e não tolera injustiça. Ele fará todo o mal transformar-se em bem. Deus é imparcial.

Amoroso: O sacrifício faz parte da natureza de Deus. Ele cuida, entrega-Se, trabalha para nos trazer o que precisamos. Ele é compassivo, sensível, e escolheu importar-se connosco.

Podemos relacionar muitas outras palavras que também O descrevem: misericordioso, gentil, puro, recto, paciente, fiel, digno de confiança, generoso, magnânimo, majestoso, etc. Todas essas qualidades serão, até certo ponto, aspectos dos atributos relacionados na Escritura. Quanto mais você conhecer a Bíblia, mais descobrirá as múltiplas descrições de Sua natureza. Tente encontrar novas maneiras de descrevê-lO. Louve ao Senhor pelas muitas variadas facetas de seu ser. Aprenda quem Ele realmente é para, aos poucos, substituir a imagem distorcida que traz de Sua real natureza.

Como Deus é? Talvez esta canção possa definir: “Sei que Cristo me quer bem, pois a Bíblia assim o diz…”